X Zero

POR: Leonardo Lugarinho

Este livro possui conteúdo violento/erótico.

Crítica

X Zero é o primeiro artbook de X lançado, feito em comemoração dos 10 anos do começo da publicação na revista Asuka. X sempre foi a obra máxima da CLAMP; Isso é, esteticamente falando, claro (essa crítica não é local mais apropriado de comentar sobre o confuso e lento roteiro). O acabamento do livro não fica atrás. Uma verdadeira obra de arte, sendo que dos meus artbooks, ele ganha no quesito luxo. Esse livro contém ilustrações promocionais, arte de capas da Asuka, páginas coloridas originalmente do mangá e arte das capas dos Tankobons.

O livro começa com a carta de tarô de número 0 (The fool), com uma ilustração da Kotori nua segurando uma das Shiken. O livro tem apenas 4 seções e muito pouco espaço desperdiçado. A maioria esmagadora das ilustrações ocupam a página inteira, quando muito tem uma pequena borda.

A primeira seção do livro, chamada de “Kamui”, tem somente ilustrações do Kamui. A maior parte delas são da fase inicial do mangá (1992-1995), onde mostra um estilo que lembra os trabalhos iniciais do Clamp, como RG Veda e Tokyo Babylon, mas com um trabalho de cores e principalmente, um tema de trabalho bem superior a esses dois.

É fácil notar pelos desenhos que X sempre foi destinado a ser uma obra pretensiosa, e é de certa forma auto-sugestiva, já que a grandiosidade (para não dizer a megalomania) sempre foi um dos primcipais temas de X. Para os leigos, isso se resume a ilustrações com mais simbolismo que a sua mente pode aceitar. Pétalas, penas, o globo terrestre, magias de cabala, sânscritos em Latim e um mundo em ruínas. E no meio de tudo isso, um rapaz arrogante tendo que carregar o destino de ser o escolhido.

Nada de muito interessante nessa seção, além de uma ilustração bem antiga (datada de Maio de 1992), mostrando Kamui e 6 rapazes de costas. Na mão de Kamui, um 7, associação óbvia com os 7 selos/anjos. De cara, é óbvia a presença de Sorata (apesar de só dar para reconhecer pelo seu tradicional boné já que seu design é bem diferente) e Fuuma, mas olhando com calma, dá para perceber Subaru, Seishiro e um protótipo do cara da água, que o nome me fugiu. Isso muitos anos antes de eles serem oficialmente apresentados ao mangá. Outra coisa que me deu o que pensar é se na idéia original, os 14 personagens principais seriam 7 homens e 7 mulheres (acabou sendo 9 homens, 4 mulheres e o Nataku, que defina por sua conta e risco).

A fase “Destiny” contém ilustrações de Kamui, Fuuma e Kotori. Muitas delas mostram a relação amor/ódio entre Kamui e Fuuma, sendo que a maioria delas são ilustrações de duas imagens, ou de uma única ilustração espelhada onde cada um toma o seu lado. Kotori tem sua exclusividade na parte final dessa seção onde são imagens lindas dela. O mais interessante dessa seção é perceber que as garotas da CLAMP não tinham muita idéia como é o desgign da Kotori, já que ilustrações vizinhas tem visões da Kotori completamente distintas uma das outras.

A faes “The Seven Seals and the seven Angels”, que é mais da metade do livro, contém o resto da trupe de X. Começando pela óbvia dupla Sorata e Arashi, onde são as mais bonitas ilustrações do livro. Principalmente as de Arashi solo, já que elas se permitiram a experimentar com formas diferentes de ilustrações, incluindo crayon, nanquim puro e outros tipos. Essas ilustrações são especialmente valiosas que mostram um lado desconhecido da CLAMP: uma versatilidade encubada.

O que me incomoda um pouco no outros artbooks da CLAMP é justamente isso: Você tem páginas e mais páginas de uma arte tecnicamente muito competente, mas nem um pingo de ousadia em experimentações fora do ele se propôe, ou que é esperado. Nesse aspecto, esse livro tem isso de especial e que não encontrei em nenhum outro livro delas. No mais, ilustrações de todos os dragões da terra e do céu, inclusive as videntes. Nem todo o mundo tem seu lugar ao sol (o impopular coroa funcionário público do poder da água tem apenas uma ilustração solo), mas os outros tem quantidades de ilustrações razoáveis. No mais, ilustrações de cartões postais, as capas dos Tankobons (até o volume 10), alguns Tobira-e que eram coloridos originalmente (como o do volume 1, 2 e 3). De curiosidades, tem uma rara ilustração de um dos integrantes dos dragões da terra que foi exclusivo do filme de X (provavelmente essa ilustração foi usada para promoção do filme).

A parte final é “Zero”, novamente com várias ilustrações solo de Kamui, mas de uma fase mais recente do mangá, onde o cabelo e corpo sao bem diferentes do design inicial. Como sempre, não falta simbolismos, apesar que o vermelho sangue está mais presente. De extra, temos uma entrevista com a Mokona (a desenhista) e com a Ohkawa (roteirista) e um índice remessivo, com todas as ilustrações, data e local onde ela foi publicada.

Emfim, são 150 páginas de somente ilustrações coloridas, com a típica qualidade CLAMP. A capa dura e o papel de alto relevo mantém que as ilustrãções venham vivas, com cores vibrantes.

Eu queria achar mais defeitos, mas o único que conseguiu me incomodar o suficiente para dedicar um parágrafo só a ele foi justamente a maior frivolidade desse livro: a caixa para guardar. Para um ítem tão luxuoso (para não dizer sublime), uma caixa de papelão fina e frágil com um adesivo colado (nem é impresso na caixa, como no artbook de bastard!!), e sem uma identificação lateral nenhuma, o que faz que eu deixe a lombada do livro exposta na minha estante, e não o da caixa. Parece que foi uma coisa pensada as pressas, que obviamente destoa do conjunto visual. Mas como disse, é uma frivolidade, e como tal, não desmerece de forma nenhuma o artbook.

Não custa lembrar que esse artbook foi reeditado em 2005, junto com o segundo artbook de X, o X Infinity. Essa nova tiragem possui algumas diferenças importantes em relação antiga. A primeira, e considero a mais importante, é que a nova edição é capa mole. Ela também não possui o box, a entrevista com a Mokona, nem duas ilustrações (apesar de não saber quais são, já que li isso em um site de críticas de artbooks), mas sua óbvia vantagem é uma versão mais barata. Mesmo X Zero não ter tido mais tiragens após o relançamento, ainda é possível encontrar a versão capa dura sem muito esforço.

No final das contas, é um excelente livro e uma amostra fenomenal da beleza e, principalmente, da versatilidade da arte das garotas, tanto como no design dos personagens, quanto na arte-finalização. Sobre o livro, ele é extremamente luxuoso, extremamente bem acabado, com lindas ilustrações. Tudo isso pode te deixar até meio tendencioso a achar que X é uma obra de arte, esquecendo que tudo que elas criaram de ilustrações promocionais elas deixaram a desejar no roteito.

E sim, ainda estou esperando o final.

 
criticas/x_zero.txt · Última modificação: 2014/08/01 17:41 (edição externa)
 
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